A MAIOR tragédia do MAIOR clube de futebol do Brasil


Nem se fosse calculista, o Flamengo estaria agindo corretamente.

Retorne ao final dos anos 90, início dos anos 2000. Imagine a maior tragédia da história do clube mais popular do Brasil acontecendo naquele período.
As fragilidades financeira, administrativa, institucional e de estrutura física tornariam tal acontecimento algo muito provável de destruição do clube. Inimaginável a possibilidade de se reerguer.

Agora voltemos à segunda década dos anos 2000.
O clube mais popular e agora o mais estruturado física, administrativa e financeiramente do Brasil, o Flamengo, vai perdendo a oportunidade de se mostrar realmente popular, honrar seus milhões de torcedores e fazer o máximo (sim, o máximo porque nesse tipo de tragédia, o possível não basta) para confortar as famílias diretamente atingidas pela tragédia ocorrida em 08 de fevereiro de 2019.

Ninguém é ingênuo ao ponto de ignorar toda a questão midiática envolvida, todos os trâmites frios e até certo ponto constrangedores que a justiça impõe nesses casos. Mas o CRF já deveria ter se mostrado muito mais humano e solidário. Desde o início, lá há 12 meses atrás, o clube não tem coragem de se colocar diante da sociedade e esclarecer todos os pontos que é obrigação sua esclarecer. As atitudes do clube são decepcionantes e sua comunicação com a sociedade, e principalmente com sua "nação", é pior ainda.
As questões financeiras precisam ser resolvidas e já deveriam ter sido, com pelo menos 80, 90% das famílias que perderam seus filhos.
Mas além disso, o Flamengo peca no lado humano da questão. Aqui não envolve quantias absurdas de dinheiro. Envolve empatia, solidariedade, responsabilidade social, respeito, humildade...

Dez minutos nas redes sociais, virtuais ou reais, bastariam pros dirigentes do clube entenderem onde e quanto estão errando.
Sem querer ser o expert em gerenciamento de crises, até porque não tenho conhecimento técnico nenhum pra isso, mas atitudes simples do Flamengo já poderiam ter sido tomadas, tais como:

→ Construção de um memorial no Ninho do Urubu, com a grandeza que as famílias e os garotos atingidos merecem;
→ Definição em estatuto da data da tragédia como luto oficial do clube (nenhuma atividade em nenhuma das modalidades, incluindo jogos oficiais);
→ Criação de uma camisa - em parceria com a fornecedora oficial - em homenagem aos garotos atingidos e com a receita de vendas toda revertida para as famílias (em caso de impossibilidade jurídica, revertida para alguma instituição que milite nas questões relacionadas a pessoas atingidas por incêndios);
→ Definir, em estatuto, que a primeira partida oficial do clube em todas as temporadas deve ser utilizada para lembrar a tragédia e humildemente pedir desculpas ao seu povo (torcida). Revertendo a renda desta partida assim como citado no caso das camisas acima;
→ Presentear as famílias atingidas com títulos de sócios do clube (vitalício e sem custos);
→ Criar um espaço no museu do clube para prestar homenagens aos atletas falecidos;
→ Tornar obrigatório (em estatuto) no uniforme do time de futebol um sinal de luto (na manga, na gola, na barra da camisa... mas que seja em local visível);
→ Definir, em estatuto, que a data seja lembrada sempre anualmente com a celebração de uma solenidade ecumênica (arcando com os custos dos familiares para estarem presentes se assim quiserem);

Tenho certeza que cada rubro-negro conseguiria pensar em algumas formas de tornar a vida desses familiares menos dolorida. Ou que pelo menos tornasse as atitudes do clube mais solidárias com as famílias.

O Flamengo deve isso à "nação". O Flamengo deve isso à sociedade. O Flamengo deve isso aos atingidos.
Mostre-se humano. Mostre-se popular Flamengo. Faça diferente. Estabeleça a jurisprudência a partir dessa tragédia. Defina padrões de correção.

Seja o reflexo da imensa maioria da sua nação.


Em luto.

Délio Mendes

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